Abrafiltros fala sobre o mercado de saneamento

A Saneas Online traz entrevistas especiais com importantes nomes abordando assuntos sobre saneamento, meio ambiente e especialidades. Nesta semana, conversamos com João Moura, presidente da Abrafiltros – Associação Brasileira de Empresas de Filtros e seus Sistemas - Automotivos e Industriais, e com o Prof. Dr. Fábio Campos, coordenador da CSFETAER – Câmara Setorial de Filtros para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso da entidade.
JOÃO-MOURA-E-FABIO

Nossos entrevistados falaram sobre os reflexos da pandemia de covid-19 no mercado de saneamento e trouxeram informações importantes sobre o ecossaneamento – solução econômica e eficiente para tratamento de esgoto. “Os sistemas alternativos do ecossaneamento são mais simples de serem executados e operados, contudo, mesmo assim demandam um mínimo de capital e de especialistas para dimensionar o fluxograma do processo”, afirma o Prof. Dr. Fábio Campos, que acrescenta, ainda, a falta do investimento para este sistema.

O presidente da Associação, João Moura, também comentou sobre o Museu Água de São Paulo, iniciativa da AESabesp. “A Abrafiltros, que tem uma correlação muito estreita com questões que envolvem a sustentabilidade desde a fundação há 15 anos, parabeniza e apoia a AESabesp nesta iniciativa, que se mostra especialmente relevante no contexto ambiental atual, no qual diversas regiões em todo o mundo – inclusive no Brasil – estão cada vez mais ameaçadas pela escassez hídrica”, frisa João Moura.

Confira a entrevista completa:

Saneas Online – A pandemia de covid-19 afetou o mercado do setor de saneamento? De que forma?

João Moura – Pode-se dizer que trouxe as questões do saneamento à luz das discussões, recolocando-a na pauta de interesses pelas implicações em situações que envolvem a saúde pública. Questões como o acesso à água potável e a coleta de esgoto passaram a ser debatidas como fundamentais para o enfrentamento de situações como a que vivemos, da pandemia da covid-19.

Fábio Campos – No Brasil, dados apontam que cerca de 50% da população não possuem cobertura de saneamento, estando expostos ao convívio com o esgoto bruto, lançado em rios, córregos, ou fluindo em calçadas. Contudo, em termos de investimentos na infraestrutura, a pandemia ainda não motivou maiores movimentações que as já previstas pelos governos e empresas privadas.

Já no campo da ciência, motivou pesquisas como o projeto de monitoramento do coronavírus nos esgotos da região do ABC paulista, financiado pela RedeVírus MCTI, cujo objetivo é rastrear o vírus nos esgotos e estabelecer políticas públicas, como circulação ou não de pessoas em determinadas áreas.

Saneas Online – O ecossaneamento é uma alternativa viável para se implantar hoje no Brasil?

Fábio Campos – O ecossaneamento consiste num conjunto de processos e tecnologias com pouco aporte energético, que busca imitar as interações ambientais no tratamento de esgoto. Tais processos e técnicas, como as wetlands construídas, vermifiltros, círculo de bananeiras, fossas biodigestoras, entre outras, já são realidades em nosso País, contribuindo enormemente na cobertura de saneamento como parte importante da gestão descentralizada de coleta e tratamento de esgoto. O Brasil adota a gestão centralizada para o saneamento, isto é, baseia seus equipamentos de tratamento e redes coletoras para receber vazões de grandes bacias de esgotamento, o que acaba gerando Estações de Tratamento de grande porte. Porém, essa gestão não abarca regiões com baixa densidade demográfica (posto que o investimento necessário não tem como ser “repartido” com a população); nesses casos, tecnologias alternativas como as do ecossaneamento, são uma excelente opção. 

Saneas Online – Quais os impeditivos para que se utilizem sistemas alternativos de esgotamento sanitário?

Fábio Campos – Em tese, não há impeditivos, faltam investimentos, da mesma forma que faltam investimentos para o saneamento de uma forma geral. Os sistemas alternativos do ecossaneamento são mais simples de serem executados e operados, contudo, mesmo assim demandam um mínimo de capital e de especialistas para dimensionar o fluxograma do processo.

Dessa forma, é mister o aporte monetário para implantação de tecnologias do ecossaneamento nessas áreas rurais, assentamentos, áreas indígenas ou aglomerações subnormais, assim como o envolvimento do meio acadêmico e do terceiro setor na construção dessas ferramentas de saneamento e orientação, conscientização e treinamento das pessoas envolvidas.

Saneas Online  A AESabesp prepara para 2022 uma grande realização; o Museu Água de São Paulo, que tem o intuito de conscientizar a população acerca do desenvolvimento e importância do saneamento ambiental. Qual sua avaliação sobre a importância desse novo espaço? 

João Moura – A água é um recurso natural indispensável para a vida. Um alimento fundamental para manutenção de todas as formas de vida e para o equilíbrio do meio ambiente, sendo um elemento a ser referenciado e protegido.

A ideia do Museu Água é essencial e necessária não só para o Brasil, mas para qualquer lugar do mundo. Um local em que o público encontrará espaço de convivência, oficinas, apresentações e informações, sendo muito mais que um “museu”, e sim um centro de aprendizado capaz de formar opiniões, de implementar elementos culturais e, assim, por meio da educação, formar pessoas com mais responsabilidade ambiental.

Por isso, a Abrafiltros que tem uma correlação muito estreita com questões que envolvem a sustentabilidade desde a fundação há 15 anos, parabeniza e apoia a AESabesp nessa iniciativa, que se mostra especialmente relevante no contexto ambiental atual, no qual diversas regiões em todo o mundo – inclusive no Brasil – estão cada vez mais ameaçadas pela escassez hídrica. O Museu Água vem a ser de extrema importância na conscientização ambiental e na preservação da vida, e certamente gerará reflexos positivos no Brasil e no exterior.

Raio X

Empresário, jornalista, publicitário e especialista em Gestão de Negócios, João Moura é um dos idealizadores e fundadores da Abrafiltros. Em seu sétimo mandato na associação, traz em sua história mais de 40 anos de experiência no setor de filtração, tendo passagens por áreas comerciais e administrativas em empresas multinacionais. Em sua trajetória, destaca-se pelas importantes contribuições ao segmento, tendo participação relevante em negociações e decisões que fizeram com que o segmento de filtros ganhasse representatividade nacional e internacional. É cofundador e atualmente diretor da DBD Laffi Filtration, empresa de filtros para o segmento industrial. É membro fundador da Câmara de Comércio Brasil-Minessota. Além de fazer parte do Conselho Superior da Coalizão Digital ABC.

O Prof. Dr. Fabio Campos é biólogo com mestrado em Engenharia Sanitária pela Escola Politécnica da USP e doutorado em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Atualmente é responsável pelo Laboratório de Saneamento – PHA/EPUSP. É consultor das empresas Monera EcoSolution, Ecologic Tratamento de Águas e Efluentes e Sócio da empresa Eisenia Tecnologia e Meio Ambiente. Palestrante e entusiasta do tema Saneamento, Campos é autor de diversos artigos e publicações.

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