Série Saneas - AESabesp 40 anos

Um olhar sobre saneamento, meio ambiente e inovação

Entrevista 19 – Universalizar o saneamento passa por inovação, parcerias e segurança regulatória

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À frente da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), Munir Abud afirma que a universalização exige a combinação de diferentes modelos de gestão, investimentos contínuos e políticas que garantam eficiência, inclusão social e sustentabilidade.

A universalização do saneamento básico é um dos maiores desafios do Brasil e exige investimentos consistentes, inovação, segurança regulatória e modelos de gestão capazes de atender às diferentes realidades do país. Nesse cenário, as companhias de saneamento desempenham um papel estratégico ao ampliar o acesso aos serviços, fortalecer a governança e promover soluções que conciliam eficiência operacional, inclusão social e sustentabilidade.

Nesta série especial, em comemoração aos 40 anos da AESabesp, Munir Abud, presidente da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e diretor-presidente da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), compartilha sua visão sobre os desafios e as oportunidades para a universalização do saneamento no Brasil. 

Na entrevista, ele destaca o papel estratégico das empresas e defende a combinação entre inovação, investimentos, segurança regulatória e cooperação institucional para acelerar o cumprimento das metas do setor. Confira:

Saneas Online – Como o senhor avalia o papel das companhias estaduais de saneamento no avanço da universalização após a implementação do novo marco legal?

Munir Abud de Oliveira – O novo marco legal trouxe metas mais claras e impulsionou uma agenda importante de eficiência, investimentos e modernização da gestão. Nesse cenário, as empresas públicas têm demonstrado capacidade de adaptação, estruturando novos modelos de negócios, fortalecendo a governança e ampliando parcerias para acelerar os investimentos. O que temos defendido na Aesbe é que não existe um modelo único capaz de atender à realidade brasileira. O país é extremamente diverso e a universalização será alcançada por meio da combinação de diferentes instrumentos como investimentos públicos, financiamentos, concessões, parcerias público-privadas e o fortalecimento das companhias estaduais, que possuem conhecimento técnico e presença regional. O mais importante é que todos os esforços estejam direcionados para cumprir as metas de universalização, garantindo mais saúde, qualidade de vida, desenvolvimento e preservação ambiental.

Saneas Online – Quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas empresas estaduais em termos de financiamento, regulação e capacidade de investimento?

Munir Abud – O principal desafio é garantir um ambiente regulatório estável e previsível, que ofereça segurança para investimentos de longo prazo. O saneamento exige projetos estruturantes, com horizonte de décadas, e isso depende de regras claras, estabilidade institucional e segurança jurídica. Também é fundamental ampliar o acesso às diversas fontes de financiamento, o que já tem acontecido. O setor demanda investimentos na ordem de R$ 1 trilhão para a universalização plena e isso passa pela atração do capital privado, que só ocorre quando há clareza nas “regras do jogo” e proteção contratual.

Saneas Online – Diante das metas de universalização até 2033, quais estratégias a Aesbe tem defendido para garantir eficiência operacional sem perder de vista a inclusão social e o acesso universal?

Munir Abud – Universalizar significa levar água tratada e coleta e tratamento de esgoto para todos, inclusive para populações vulneráveis, pequenos municípios e áreas de maior complexidade operacional. Para isso, temos trabalhado em três frentes principais. A primeira é estimular investimentos robustos por meio de diferentes modelos de gestão, valorizando as experiências bem-sucedidas das companhias estaduais e das parcerias com a iniciativa privada. A segunda é incentivar a inovação, a transformação digital, a eficiência energética, o reúso de água e outras soluções que aumentem a produtividade e a sustentabilidade dos serviços. E a terceira é fortalecer a governança e a gestão das empresas, promovendo o intercâmbio de boas práticas entre os estados. Outro aspecto fundamental é preservar políticas de inclusão social, como tarifas sociais e mecanismos que garantam o acesso da população de menor renda aos serviços de saneamento. 

Saneas Online – Na sua avaliação, qual a importância de entidades técnicas e associativas como a AESabesp no fortalecimento do setor de saneamento, especialmente na formação de profissionais, disseminação de conhecimento e apoio às companhias estaduais representadas pela Aesbe?

Munir Abud – Entidades como a AESabesp desempenham um papel estratégico para o desenvolvimento do saneamento brasileiro. Elas promovem a integração entre profissionais, empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos, criando um ambiente permanente de troca de conhecimento, inovação e aperfeiçoamento técnico. 

* 40 vozes que ajudam a construir o saneamento brasileiro

A Série Saneas – AESabesp 40 anos: um olhar sobre saneamento, meio ambiente e inovação celebra as quatro décadas da AESabesp, reunindo 40 personalidades que constroem, diariamente, a história do saneamento e do meio ambiente no Brasil.